segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

5.3 A UNIVERSIDADE E A ESCOLA


Sempre fui um jovem questionador e muito comunicativo, mas quando entrei
na universidade fiquei calado por algum tempo. Fiquei calado porque achava que não tinha nada para dizer, sentia vergonha daquilo que havia aprendido nos treze anos anteriores em que vivi na Escola.



Hoje percebo que me calei porque havia um imenso vazio dentro de mim.
Este vazio nada mais era do que a falta que o pensamento de ordem superior faz na mente de um jovem que recebeu a vida toda uma educação acrítica e de repente se vê dentro de uma instituição de Ensino Superior.



Durante todo este trabalho argumentei que a Escola tal como ela é hoje
necessita de mudanças. Para elucidar que mudanças são essas e como elas podem ser feitas, apresentei a teoria da educação enquanto Comunidade de Investigação de Matthew Lipman. Porém, deixei uma questão em aberto: A Escola não possui forças para reformar a si mesma sozinha. Ela necessita da ajuda da Universidade e esta só poderá colher bons frutos após as fundamentais mudanças paradigmáticas das quais dissertarei nos próximos parágrafos.



Normalmente se pode dividir a educação em dois grandes níveis: Educação
Básica e Educação Superior50. A educação básica é formada pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, enquanto a educação superior é formada pelas graduações, pós-graduações, mestrados, doutorados, pós-doutorados, etc.



Esta divisão revela algumas questões interessantes para serem abordadas.
Primeiramente, a educação básica recebe esta nomenclatura porque é a base de tudo que possa vir após seus ensinamentos. Isso significa dizer que tanto os alunos universitários, quantos seus professores tiveram como base de sua educação a Escola. Com isso está criado um vínculo circular entre Escola e Universidade, onde a Escola forma os alunos que vão para Universidade, que forma os professores que vão para Escola formar os alunos que vão para Universidade, e assim por diante.



Devido a isso, julgo que qualquer mudança no processo de ensino-aprendizagem que deseje ser positiva na transformação de nossa sociedade deve ocorrer na Escola e na Universidade simultaneamente. Caso contrário, corremos o risco de jamais superar o circulo vicioso de maus alunos, maus universitários, maus professores, maus alunos, maus universitários, maus professores...



Quando falamos em Ensino Superior, poderíamos deduzir que também existe um ensino inferior. Embora ninguém admita, a Escola é geralmente encara como responsável por um ensino inferior. Até os professores das escolas são encarados como “professores de segunda classe”, principalmente quando recebem seus salários no final do mês ou quando os doutores e grandes mestres da Universidade resolvem se reunir para debater os problemas da educação básica.

A maioria das propostas de mudanças para educação é feita nas confortáveis poltronas de alguns doutores da Universidade. Estas propostas possuem belas argumentações e estão baseadas em resultados empiricamente verificáveis, frutos das mais variadas experiências realizadas nos mais diversos tipos de escolas. Algo como uma meia dúzia de sábios cientistas que se reúnem em volta de uma gaiola, injetam veneno em alguns ratos, assistem os  animaizinhos se debaterem e depois escrevem belos artigos sobre o efeito de alguns cosméticos na pele humana. É evidente que já passou da hora de desenvolvermos o pensamento crítico e criativo em todos os níveis da educação. Um passo importante para este feito é o abandono desta postura de superioridade da Universidade em relação à Escola. Não estou querendo dizer com isto que as propostas realizadas até hoje não possuem valor, pelo contrário, elas possuem muito valor. Afinal, elas representam tudo aquilo que conseguimos pensar até o momento. Apenas julgo que tais propostas poderiam ser radicalmente melhoradas se os grandes doutores e mestres do mundo acadêmico abandonassem as condições quase perfeitas da universidade

e fossem vivenciar e elaborar suas propostas dentro do conturbado ambiente de uma escola pública. Interagindo com os que considera despreparados professores primários, olhando nos olhos das radiantes crianças da educação infantil e ouvido o que os desinteressados adolescentes do Ensino Médio tem para lhe dizer. Ou seja, é necessário que os pensadores da educação elaborem suas propostas dentro da Escola, considerando professores e alunos da educação básica como seres humanos dotados de razão, sentimentos, criatividade e vontade própria; e não mais como meros objetos de suas reflexões e teorias.




 
Este texto faz parte do trabalho chamado “Crítica a Escola” escrito por mim, Fabio Goulart. Para fazer o Download do trabalho Completo CLIQUE AQUI. Todos os dias será postado um novo texto deste trabalho aqui no site! Boa Leitura!



50 Existem também o Ensino Técnico e outras formas de ensino, mas não dissertarei neste trabalho sobre estas formas.

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