quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Parecer do Conselho Estadual de Educação do RS apresenta norma que impediria as escolas de expulsar alunos


Reflexão aos colegas professores e a todos pais e futuros pais de alunos, ou seja, quase todo mundo.


Algumas "regras" não precisam ser criadas... quando o são, demonstram o triste rumo politiqueiro e ideológico que nossa educação cada vez menos crítica vai tomando...


Um pai tem uma filha menor de idade transgressora (vamos dizer 13 anos). Daí ele a expulsa de casa. Podem argumentar que a garota poderá encontrar um novo lar melhor e a expulsão lhe servirá de lição, que ela será um ser humano melhor e ajudará a construir uma sociedade melhor...Porém esta argumentação parece absurda, sabemos que na verdade ela provavelmente não buscará uma nova casa e ficará na rua, sabemos que a expulsão lhe causará mais ódio e isso lhe fará uma pessoa pior e que provavelmente vai fazer algo terrível contra algo ou alguém... Existem exceções, mas pensamos na regra... na regra, expulsar uma filha de 13 anos de casa não é uma atitude coerente nem correta... o correto seria o pai como responsável pela educação da criança estabelecer o diálogo com sua filha para acabar com as transgressões e se preciso estabelecer punições mais coerentes.


Pois bem, um pai é responsável apenas por parte da educação de uma criança, há também uma parte de responsabilidade da escola... Vamos ler novamente o parágrafo acima, porém mudando algumas palavras:


Uma escola tem uma aluna menor de idade transgressora (vamos dizer 13 anos). Daí ela a expulsa. Podem argumentar que a garota poderá encontrar uma nova escola melhor e a expulsão lhe servirá de lição, que ela será um ser humano melhor e ajudará a construir uma sociedade melhor...Porém esta argumentação parece absurda, sabemos que na verdade ela provavelmente não buscará uma nova escola e ficará na rua, sabemos que a expulsão lhe causará mais ódio e isso lhe fará uma pessoa pior e que provavelmente vai fazer algo terrível contra algo ou alguém... Existem exceções, mas pensamos na regra... na regra, expulsar uma aluna de 13 anos não é uma atitude educativa nem pedagógica... o correto seria a escola como responsável por parte da educação da criança estabelecer o diálogo com sua aluna e seus familiares para acabar com as transgressões e se preciso estabelecer punições mais coerentes e realmente educativas. 


Entendeu minha opinião sobre a expulsão nas escolas??? Sempre há exceções, talvez uma norma que impeça expulsões seja um exagero, porém uma recomendação sobre esta prática creio que qualquer educador que se preze já possui...Algumas "normas" não precisam ser criadas... quando o são, demonstram o triste rumo politiqueiro e ideológico que nossa educação, cada vez menos crítica, vai tomando... Expulsão não é solução, mas sua proibição também não soluciona nada... 

Não sou a favor da expulsão, porém julgo que esta possibilidade deva existir para casos extraordinários. Há ainda quem defenda que toda expulsão deve garantir também a transferência do aluno, porém minha longa experiência na educação pública mostra que alunos problemáticos transferidos de maneira preventiva apresentam grau de evasão superior a 80%, ou seja: toda transferência é uma espécie de expulsão. Alguém que encare de maneira ideológica esta questão pode ainda dizer: "conversar com os menores é o mesmo que esperar um milagre", mas minha experiencia de anos como conselheiro escolar mostra que o diálogo realmente funciona, pois um aluno problemático geralmente tem a fonte de seus problemas fora da escola, desta forma um diálogo junto a família e a orientação escolar revela isso e não se fica só no papo, dai para frente é feito o contato com a assistência social e feito o encaminhamento que dependendo do caso pode ser junto a ongs, oportunidade de emprego, tratamento médico, etc... presenciei diversos casos de alunos que mudaram de postura após o devido acompanhamento da escola, quase todos pra falar a verdade. Porém sempre há exceção, e a exceção que eu falo são os ditos "irrecuperáveis", por isso sou contra a criação de uma norma que proíba a expulsão, embora inapropriado para a maioria dos casos, este recurso deve existir para casos especiais. 


Professores e Pais são responsáveis pela educação do indivíduo, mas por partes diferentes. "Expulsar" de casa ou da escola nunca é uma atitude sensata. O Pai não pode expulsar pois é de sua responsabilidade o lar e a criação. Já a escola não deve expulsar, mas precisa manter esta possibilidade para casos extraordinários, casos onde sozinha não irá poder "recuperar o aluno", ela é responsável pelo "ensinar a conviver em sociedade," ela trai seus princípios se fica impotente frente a um estudante que agride um professor, por exemplo. Num caso destes o aluno precisa ter todo acompanhamento e diálogo para procurar-se solucionar parte das causas de seus problemas, mas sou a favor que seja expulso e imediatamente transferido, pois julgo que sua não expulsão pode passar uma ideia de certeza de impunidade aos outros estudantes, já soube casos ainda piores onde o professor foi transferido após um caso destes, isto é ainda pior, pois além da impunidade ainda acaba por funcionar psicologicamente como um prêmio à delinquência.     


(Filósofo Fabio Goulart da Página Filosofia Hoje )


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