segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Enquanto houver ideologia, não vai haver medicina. #CaosnaSaúde

A ideologia é como um óculos, tem gente que usa um grau tão elevado que enxerga um mundo mágico diante do nariz. Hoje o médico perito que me "examinou" para a nomeação no concurso público começou a reclamar que teria que fazer muitos "exames". Eu não fiquei quieto e respondi:

"- Ainda bem que estão contratando tantos professores, só falta agora contratar mais médicos". Foi incrível, mas quando acidentalmente falei juntas as palavras “mais” e “médicos” ele deu um pulo em sua cadeira e do nada gritou que não faltam médicos no Brasil, disse que o Brasil é o país que mais tem médicos no mundo (Eu gostaria muito que isso fosse verdade) e que a educação pública deveria seguir o modelo chileno e ser privatizada, afinal o Chile teria a melhor educação da américa Latina (Informação equivocada, a educação no Chile decaiu muito após a privatização e é alvo de violentos protestos desde 2010), disse também que era um absurdo um médico sair da faculdade com um salário de apenas R$3.600,00 que por isso estavam precisando contratar cubanos (Realmente não é muito, mas ele também deixou claro que considera a profissão de médico muito superior a profissão de professor que passa pela faculdade, pelo mestrado, pelo doutorado e tem um salário médio de R$2.000). Daí eu fiz uma pegadinha e disse a ele:

 “-Por isso eu sou um cara de direita”, os olhinhos azuis do caucasiano médico brilharam! Com a voz exaltada ele contou que fez parte de movimentos estudantis e que era de esquerda, mas que agora sabia que isso não “prestava”. Eu mudei o tom de voz e revelei que como filósofo não sou "de esquerda" nem "de direita", e que sempre tive asco dos DCE devido a gente que esta lá pregando discursos “revolucionários” e depois se torna alguma espécie de "monstro conservador" contrário à educação e à saúde pública, afinal “venceu na vida” e não precisa de educação e saúde pública (diz que é coisa de fracassado), pois pode pagar por serviços de mais qualidade. Disse a ele que “esquerda e direita” fazem parte de um jargão antiquando de uma política putrificada que não vale a pena ser repetida e que “vergonhoso” não era um salário de R$3.600, mas sim um médico, ou qualquer outa pessoa em um cargo público de nível superior, que repete discursos que não levam a lugar nenhum... Ele se calou, fez beicinho, disse “-não vamos entrar no mérito”, carimbou meu papel e respeitosamente pediu para que eu chamasse o próximo candidato.
(Filósofo Fabio Goulart da página Filosofia Hoje)

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