sábado, 17 de dezembro de 2011

2.5 CRIATIVIDADE E DIÁLOGO



     Numa Comunidade de Investigação os diálogos desenvolvidos não são

simples bate-papos ou conversa jogada fora, são diálogos que possuem uma boa

quantidade de disciplina lógica. Porém quando falamos em disciplina lógica, não

podemos imaginar diálogos rigidamente estruturados, incapacitados de permitir

objeções, ou sem abertura para a criatividade livre daqueles que dialogam. O

diálogo na Comunidade de Investigação possui sua disciplina lógica baseada na

busca que todos seus membros devem ter de investigar e de se chegar a algum

lugar a partir daquela investigação.

     O primeiro ano de minha faculdade de filosofia foi bastante complicado,

primeiramente pelo fato não ter tido a disciplina de filosofia no final de meu Ensino

Médio e devido a isto não estar habituado com as discussões filosóficas, também

pelo fato de ter ingressado as forças armadas e estar tendo que conciliar uma

pesada rotina militar com os estudos iniciais de metafísica, lógica, moral e

antropologia. Lembro-me que ficava simplesmente maravilhado com as aulaspalestras

de alguns professores, mas no final não me sentia seguro para fazer

algum comentário ou tecer uma breve tese sobre o que foi abordado. Eu me sentia

pequeno frente ao conhecimento apresentado pelos professores. Existiam também

alguns professores que apresentavam suas aulas não somente no formato aulapalestra.

Eram aulas abertas para o debate e para o diálogo, onde o assunto se

desdobrava a partir de vários pontos de vista e não somente do ponto de vista de

determinado autor ou comentador. Devido esta multiplicidade de perspectivas eu me

sentia mais seguro e em pouco tempo já estava participando da discussão. Também

lembro-me que ficava tão entretido com os debates e diálogos que as horas

simplesmente voavam.

     O método da conferência ou de aula-palestra não é pior ou mais ultrapassado

do que as Comunidades de Investigação, muitas vezes é um método bastante

eficiente e consegue aprofundar muito mais um tema a partir de determinado ponto

de vista do que numa aula debate ou Comunidade de Investigação. O grande

problema da aula-palestra é que quanto mais fascinante e carismática, mais

transforma seus ouvintes em admiradores passivos ao invés de questionadores

ativos. (LIPMAN, 1995, p. 303) Em uma educação baseada no paradigma padrão

este tipo de metodologia parece ser mais do que eficiente e adequada, porém é um
modelo que não incentiva o desenvolvimento do pensar crítico e do pensar criativo.

Devido a isso costuma ser desinteressante e desanimador para as crianças e para

os adolescentes.

     Enquanto as aulas-palestras eram no máximo interessantes, as aulas debate

eram verdadeiras experiências excitantes. Após uma bela palestra eu me sentia

enriquecido por aquele conhecimento, após um belo debate e diálogo eu me sentia
como parte daquele conhecimento.17(LIPMAN, 1995, p. 303) A Comunidade de

Investigação não ensina o aluno a pensar por si mesmo, mas cria um ambiente onde

o mesmo se sente seguro, importante e sábio o suficiente para fazer isso e expor

suas teorias. Por isso mesmo se desejamos aulas de Ensino Fundamental e médio

mais interessantes para alunos e gratificantes para os professores, é necessário
evitar métodos “passivadores”18 como as aulas-palestras e investir em métodos que

capacitem os alunos como indivíduos criadores das suas próprias ideias.


 Este texto faz parte do trabalho chamado “Crítica a Escola” escrito por mim, Fabio Goulart. Para fazer o Download do trabalho Completo CLIQUE AQUI. Todos os dias será postado um novo texto deste trabalho aqui no site! Boa Leitura!

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